A História de uma Paixão

 

Tudo começou em 1982, quando Antônio Diniz recebeu um convite para integrar o elenco da Paixão de Cristo, em Congonhas do Campo/MG. Conhecida pelos seus belíssimos figurinos e rituais, essa manifestação era a mais importante encenação de Minas Gerais.

Infelizmente, Antônio teve que desistir do compromisso em Congonhas para atender a um chamado da comunidade do bairro Salgado Filho, em Belo Horizonte. O vigário dessa comunidade havia morrido e solicitaram sua ajuda nas celebrações da Semana Santa. O desafio foi enorme, pois ele teria que montar todos os figurinos, além de ensaiar as pessoas da comunidade.

Nesse mesmo ano, as apresentações começaram, de maneira simples, porém criativas, com o apoio de Reginalda Barbosa e a participação de pessoas da comunidade, na maioria mulheres e amigos, que juntos contracenavam nas ruas do bairro, utilizando-se o cenário local, o que levou os participantes a se tornarem apaixonados pela Paixão.

O número de pessoas aumentava a cada ano e a pequena encenação, com poucos cenários e maioria das cenas apresentadas no chão, continuou a ser apresentada no bairro Salgado Filho até o ano de 1998.

Em 1999, por meio de parceria com o iluminador Maurício Terra, que na época trabalhava no teatro da imprensa oficial, a encenação ficou mais enriquecida. Com sua experiência neste tipo de evento, Maurício percebeu a potencialidade do trabalho realizado, o que o levou a apresentar o grupo do Salgado Filho ao conhecido Diretor de Teatro, Jota Dângelo, e também ao conceituado cenógrafo do Palácio da Artes, Raul Belém Machado. Esses profissionais prestaram grande ajuda a esse grupo, na disponibilização de textos e na realização de consultorias de cenários e figurinos.

Em 1990, o citado grupo conseguiu recursos para a viabilização de som e iluminação. Pela primeira vez, houve a apresentação desse em um palco de 40 metros, onde foram montados cenários cedidos pelo Palácio das Artes. Nesse mesmo ano, o grupo decidiu se organizar como Associação Cultural, constituída de Diretoria e Estatuto próprios, sendo oficializado a partir daí como Centro Artístico Cultural São João Batista – CENARC.

Em 1992, a apresentação da Paixão e Morte de Cristo deixou de ser realizada no bairro Salgado Filho para ser encenada na Praça da Estação. Esse evento contou com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte e da Belotur, passando a fazer parte do Calendário Oficial da cidade.

Em 1997, quando a Praça da Estação foi interditada para sua restauração, o referido espetáculo foi transferido para o estacionamento do Minas Shopping, onde foi apresentado durante oito anos.

Em 2005, essa encenação retornou à Praça da Estação, por empenho da Prefeitura, tendo em vista o melhor aproveitamento do espaço requalificado, facilitando o acesso da população. A boa aceitação da Paixão de Cristo criou condições favoráveis para a realização de outras peças. Assim, o trabalho do CENARC foi ampliado, passando a Via Sacra a ser encenada em outros bairros e cidades de Minas Gerais.

A representação do Natal também passou a ser realizada na mencionada Praça e hoje se esse evento também outra referência das comemorações natalinas da Capital. Esse é um espetáculo mágico que mistura a simplicidade do nascimento de Jesus, o encantamento do circo, a Folia de Reis do Grupo Aruanda e a Orquestra da Policia Militar de Minas Gerais.

Desde então, são 27 anos de encenações, uma verdadeira Paixão, atraindo espectadores de Minas, do Brasil e do mundo.

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ANTONIO DINIZ
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